terça-feira, abril 09, 2013

Dançar ao Vento

De todos os prazeres que teu corpo encerra;
esses, por trás de teus lindos olhos;
na morada divina de vossa bela alma, que me interessam.
São as incertezas e os cantos sujos e escuros que me despertam.
Não adianta a flor colhida a repousar no cesto,
se é mais bela, sempre, a dançar ao vento.

Me lembro sempre de teu rosto envolto em fumaça;
que se esvai e parece sumir e, na nova tragada, volta forte.
Sempre despertando o desespero, pois ainda não é a hora de partir.

Sou novo no Mundo; e sempre serei.
De todos esses caminhos por aí;
escolho os errados; eu sempre errei.

Não me queira mal se não me faço entender;
o que sinto o tempo não faz desaparecer.
São tantos os anseios sem forma que se resumem
num simples dizer: desejo, além de ser.


Nich Lucena - 09/04/2013

segunda-feira, março 25, 2013

Doce Ave


De plumas negras e brancas; doce ave, voe!
O toque amargo de suas asas em meus pensamentos
ainda me entristece; suas garras ainda repousam em minhas costas - e pesam.
Voe, doce ave; até onde aguentar; antes que minha espada transpasse teu coração e tu vire um punhado de cinzas a manchar o chão.
~
És mais bela, aos meus olhos, voando por esse Céu infinito;
amada por todo meu ódio, quero apenas te abraçar e te dizer:
"És linda! És livre para voar; apenas vá!"
Meu perdão em meu abraço, foi dado - e desperdiçado;
E de novo você o tem; mais uma chance, minha amada.
~
De canto grave e gestos suaves; voe, doce ave, voe!
Me abandone, me deixe; sua gaiola não mais te prende. Ela sempre esteve aberta.
Ousaria pensar que ainda deseja? Pois olhe vossas marcas em minha tez negra.
Voe, doce ave; não quero mais sentir suas garras em minhas costas;
nem sua presença em meus sonhos; nem seu abraço repentino pelas madrugadas.
~
És mais bela a bater as asas ao horizonte; longe, distante.
És livre e linda fora de meu solar; a voar pelas noite intermináveis.
Então voe, doce ave, apenas voe!


Nich Lucena - 25/03/2013

terça-feira, março 12, 2013

Manto de Morte II


Relendo o primeiro, escrito dia 5 de Março, me vieram essas palavras:

Manto de Morte, me cobre como o frio;
leva embora os medos desse Mundo,
anseios, vontades e paixões.
Faz-me esquecer do calor ardente,
triste e tentador da Ilusão e suas curvas;
adormece meu corpo e mostra sua rica escuridão.
Manto de Morte, me silencia como a cólera;
mostra o que é belo e em seguida o devora!
És minha inspiração, meu escudo;
meu limite junto ao chão;
de ti não passarei, e quando assim for;
não terá sido em vão.

Nich Lucena - 13 de Março de 2013

segunda-feira, março 11, 2013

Pedra de Raio


há algo em meu caminho;
uma pedra estranha ou um novo destino.
bifurca e muda de forma e cor
conforme o vento que sopra e molda o ser que sou.
se vai o verão e ficam as flores
secas e sem perfume;
repousando pelos cantos de minha casa
hora ou outra voando em redemoinhos.
o fogo entra com o fim da tarde
arrastando em silêncio o beijo da noite;
são tantas almas de tantas estrelas
a segurar minhas mãos;
e lá, adiante no caminho incerto,
a pedra de raio mostra-se ardente
como o olhar de mil tentações da velha serpente.


Nich Lucena

Manto de Morte


As noites vão esfriando e meu sangue se acalmando;
e por ela meus sonhos me guiam;
cruzando os muros e as roseiras do quintal;
me levando para longe da tempestade que ainda cai.
~
Sinto na tristeza um abraço forte de certeza
de que o que passou se foi;
e apenas quando olho pra trás vejo toda aquela força
que nunca me abandonou.
~
E o calor dá seu lugar ao frio;
e o que era vivo e forte
jaz no chão, num manto de morte.

Nich Lucena - 05 de Março de 2013

quinta-feira, janeiro 31, 2013

O Último de Janeiro


e se todas esses caminhos trançados
como as raízes dessas grandes árvores
são errados, errantes
e fomos nós apenas efêmeros e cegos;
tolos amantes?
e é o que há; e é o que se sente
há um único caminho
que não é dor, mas amor
que durante toda essa história
dormia belo, sereno; aguardando pacientemente?
quão tolo sou;
ainda com medo de perder o que já não tenho.
quão má és;
mantendo-me aqui; enforcado nos galhos da árvore do passado.

Nich Lucena - 31/01/2013



segunda-feira, janeiro 07, 2013

Ela


perdido
numa floresta de cabelos coloridos
dos mais variados modos, cortados, raspados
penteados estranhos, fascinantes, apaixonantes

bocas de várias formas e tamanhos
que esboçam sorrisos, proferem palavras
revelam destinos

pinos de aço, perfurando bochechas
narizes e lábios
peles marcadas com tinta
ora peixes e santos
todos tranquilos em grandes paisagens

olhos e olhares diferentes
analisando o estranho que não se compreende
olho frente aos seios, aveludados
com um aroma de café

roupas ardentes, provocantes
violentas e desconcertantes
apenas o continuar de belas almas
insatisfeitas e errantes
mas ainda belas.

13/10/2012

quarta-feira, dezembro 05, 2012

O Homem II

Ergueu-se no topo da Montanha mais alta daquele belo Planeta;
Viu os picos ao redor, dos mais baixos aos mais altos; chamuscados pelo Sol.
Não havia dor; não havia sentimento; não havia nada além dos Altos e dos Baixos.
Era como um código que sempre esteve escrito ali - apenas esperando pra ser decifrado - e aquele era o ponto; e então ancora-se na mente o todo vivido, o caminho percor

rido; e estes são as chaves para este código.
Lá não havia o Tempo; esse elemento é apenas uma estação mental, onde param trens de amor, de ódio, de orgulho, de raiva, de angústia, de dor, de redenção. Eis que o trem era grande e a Locomotiva, de cor Violeta, mostrava problemas na sua fornalha, também de chama Violeta.
Em cada vagão havia um fragmento de todo este imenso código - que deveriam passar, um a um, pela estação para formar a Chave e então deixar o belo Planeta.
Mas o fogo Violeta não queimava.
Havia um pequeno menino agachado com duas pedras ao lado da fornalha, batendo desesperadamente uma contra a outra sobre as madeiras do Ódio, para que se inflamassem e a Máquina Celeste pudesse seguir pelos trilhos, erguendo-se acima daqueles picos.
Eis que, com uma lágrima já rolando pelo rosto, o Menino se vira para o Homem e percebe que ele ainda tem os olhos nos picos mais baixos; observando mais vagões de Ódio e Dor se aproximarem; o Fogo ainda não pode arder.

Nich Lucena - 28/11/2012

Domandhi - O Primeiro Manifesto

E quando voltarás, Ser da Imensidão?
Para abrir novamente minha cabeça e trocar as lentes;
que outrora eram de desespero? Era doente.
Dos Sete Raios o Sexto se completou;
A próxima lente; Transmutar; Dor em Amor.
E meus irmãos? A linha na areia, os Anjos e a razão do Coração?
Compreendem o que falo ou é tudo em vão?
Os olhos, os olhos! Os olhos que não deixam ver!
Todos abertos, olhando para os cé
us, para o além-cosmo;
Pensando estar mais próximos do que nunca
D'Aquele que mora logo ali, no Coração!

E alguns estão tão perto! As mãos já agarram o fino Véu;
mas ainda têm olhos para não ver e ouvidos para não ouvir!
E a beleza que jaz além grita tanto - a convidar
Que vira fantasia num pálido reflexo vagando num olhar.
Somos todos Deuses! Somos todos UM!
Somos todos, aqui, livres de Mente para escolher;
Ascender ou não?

Domandhi - 28/11/2012

segunda-feira, novembro 19, 2012

Novo blog

Aos queridos seguidores,
Se realmente seguem, devem ter percebido que parei com a frequencia de postagem há quase exatos 30 dias. Pois bem, nesses últimos trinta dias me dediquei à outras atividades que lidam diretamente com a criação, seja textual ou qualquer outra que envolva a criatividade, óbviamente. E os resultados obtidos com esse "trabalho" me afastaram um pouco da energia que costumava depositar nesse blog, bem como o que escrevia para ele; apenas mudei o foco de minha capacidade de criar, imaginar.
Não estou fechando o Solus In Tenebris, mas anunciando um novo blog com uma outra proposta, um outro tema e que, em sua carta de abertura, já explica mais sobre o que andou acontecendo com minha caixola bem como os assuntos que tratará.
Se houver interesse nos assuntos que lá irei abordar, ficaria tri feliz em ver vocês o seguindo também.
Vos apresento o Arcanissimum!

domingo, outubro 21, 2012

[phrase]

Já vi tribais, fadas e borboletas; que inspiraram belas fantasias - narradas por minha caneta.

terça-feira, outubro 09, 2012

Vymya

ela lança palavras amistosas
verbalizando um dizer frio
que no fundo alimenta
o mais fino sentimento
d'esperança; desejo

e esses olhos tristes?
herdados de seus pais
grandes o suficiente
pra eu ver todo seu coração
quer me mostrar?

não chegue muito perto
posso te queimar
embora o castiçal esteja em vossas mãos

vê aquela estrela? pois eu vejo.
certamente você não consegue ver
a escuridão chegando

não cure essa cegueira
com as santas cartas sobre a mesa
numa hora a casca seca
a mortalha cai e a nova pele surge

pronta para novas marcas
novas mordidas, feridas
mais dessas coisas doloridas

19/05/2012
Nich Lucena